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50ª MICSP: Diretora da Mostra publica livro para celebrar os 50 anos do evento

Em “Antes que eu me esqueça“, Renata de Almeida costura a trajetória da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo às suas próprias recordações, vínculos e acontecimentos que atravessaram cinco décadas da cultura cinematográfica no Brasil e no exterior. O livro, que traz prefácio de Walter Salles, também reúne fotografias que acompanham as memórias da autora e, junto com seu depoimento, formam um registro afetivo e visual da história de um dos festivais de cinema mais relevantes da América Latina.

Codiretora desde a 14ª edição da Mostra – criada por Leon Cakoff em 1977 -, Renata ingressou no festival em seu 13º ano, em 1989. Na obra, ela resgata relatos curiosos dos bastidores, dificuldades, vitórias e encontros marcantes. Das sessões que ficaram para a história aos filmes retidos na alfândega, dos erros técnicos à proximidade com diretores como Manoel de Oliveira, Abbas Kiarostami, Wim Wenders, Quentin Tarantino e Pedro Almodóvar, suas lembranças compõem um panorama afetivo da Mostra e das mudanças tanto no cinema quanto na própria cidade de São Paulo. “O caminho escolhido para este livro foi o das relações, dos encontros e desencontros que a Mostra e a vida me trouxeram”, afirma.

Ao longo de todos esses anos, houve diversas crises políticas e econômicas, além da pandemia de Covid-19, que atingiu o setor cultural de maneira ampla. Renata recorda seu primeiro ano completo à frente da Mostra: “A 14ª foi a primeira que realizei inteira, acompanhando toda a seleção e a produção. Foi um batismo de fogo, pois, em 16 de março de 1990, foi lançado o Plano Collor, com suas consequências nefastas”. E observa: “Às vezes me perguntam sobre resiliência. Considero que o treino começou naquele 1990 do Plano Collor. O fato de ter de realizar a Mostra como produtora num ano de crise exigiu muitas adaptações e resistência para lidar com os humores que essas situações trazem. Acredito que os cenários difíceis e a maneira como lidamos com eles nos moldam e definem muitos pontos da nossa personalidade. E as circunstâncias adversas seriam várias nesse novo caminho escolhido”.

No prefácio, Walter Salles destaca o papel da Mostra como espaço de resistência, liberdade e formação de público, além de sua relevância para o cinema independente e autoral. “Em todas essas frentes, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conduzida apaixonadamente por Leon Cakoff e Renata de Almeida, desenvolveu, ao longo da sua história, um trabalho essencial”, diz o cineasta.

Ao concluir seu relato, Renata reflete: “Em todas as edições, pergunto-me se ainda tem sentido a Mostra existir num mundo em que quase tudo está à mão para quem sabe onde procurar. Mas temos um público que cresce e se renova. Vejo jovens que chegam pela primeira vez e se aventuram pelas salas de cinema. (…) Acredito, então, que, se a Mostra nasceu quando vivíamos num “deserto” por causa da censura do governo civil-militar, hoje vivemos num oceano, porém num oceano em que tudo parece ter o mesmo peso e o mesmo valor. Então ela se tornou algo como um amigo de confiança que, às vezes, nos aconselha, mas em outras nos provoca, um amigo que diz: ‘Por que você não vai ver aquele filme? Eu gostei e acho que você também vai se interessar’, ou ‘Vai ver aquele outro, que vai te surpreender’”.

“Antes que eu me esqueça” é uma homenagem à Mostra, à cidade de São Paulo e a seu público. Uma leitura voltada a cinéfilos, profissionais do audiovisual e a todos que confiam no poder transformador da cultura.

Para mais informações sobre a 50ª MICSP, acesse o site oficial clicando aqui. Acompanhe a nossa cobertura, com críticas dos filmes e matérias sobre o evento, antes do seu início (em 15 de outubro) e até mesmo depois do seu encerramento (em 29 de outubro).