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50ª MICSP: Mostra exibirá restauros nunca apresentados de filmes de Patricio Guzmán

Um dos maiores documentaristas latino-americanos, Guzmán retratou a ditadura militar de Augusto Pinochet e seus efeitos na sociedade chilena, tendo sido obrigado a se exilar. Seu primeiro longa-metragem é o documentário “O primeiro ano“, de 1972, que mostra o início do governo socialista de Salvador Allende. A trilogia “A batalha do Chile” (1975-1979) retrata os tensos meses prévios a 11 de setembro de 1973, dia da derrubada e morte de Allende e da instauração da ditadura militar que durou até 1990 e cujo saldo foi mais de 3 mil mortos e desaparecidos, além de ter forçado milhares ao exílio.

O PRIMEIRO ANO (1972) marca a incursão de Guzmán no formato de longa-metragem documental. A obra retrata os primeiros doze meses do governo socialista de Salvador Allende, eleito pelo voto popular, evidenciando as mudanças implementadas sob a perspectiva e a voz de cidadãos comuns, como mineiros, pescadores e povos indígenas. O filme capta tanto a esperança e o entusiasmo diante de transformações profundas na vida dos trabalhadores quanto o desconforto da classe média e da elite, além de suas investidas para enfraquecer o presidente.

“O primeiro ano” funciona como uma espécie de prelúdio para “A batalha do Chile“. Juntamente com cinco colaboradores, Guzmán já documentava havia nove meses as tensões e as articulações para derrubar o governo quando ocorreu o violento golpe militar, com o bombardeio do Palácio de la Moneda e a morte de Salvador Allende. O material reunido era tão volumoso que acabou dividido em três partes. O filme registra a urgência dos acontecimentos, exibindo os esforços da direita para assumir o poder e o fim da democracia com suas consequências imediatas. Ainda que produzido no calor dos fatos, revela uma capacidade analítica notável. Por isso, é tido como uma obra-prima do cinema político e um documento essencial da memória desse período sombrio.

Assim como muitos outros chilenos, Guzmán, nascido em Santiago em 1941, foi detido logo após o golpe no Estádio Nacional de Santiago, onde foi interrogado e submetido a pressão psicológica por semanas. Com o apoio de diversas pessoas, conseguiu ser libertado e partiu para o exílio levando consigo vários rolos de filmes com dezenas de horas de gravações, que deram origem a “A batalha do Chile“.

O cineasta nunca mais viveu em seu país de origem, mas jamais esqueceu o Chile. Sua filmografia é quase integralmente voltada à memória desse período sombrio e às suas repercussões na sociedade chilena, em obras como “O Caso Pinochet” (2001), “Nostalgia da luz” (2010, 34ª Mostra) e “O botão de pérola” (2015, 39ª e 42ª Mostras), vencedor do prêmio de roteiro no Festival de Berlim. Ele recebeu o Prêmio Humanidade da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2015.

Para mais informações sobre a 50ª MICSP, acesse o site oficial clicando aqui. Acompanhe a nossa cobertura, com críticas dos filmes e matérias sobre o evento, antes do seu início (em 15 de outubro) e até mesmo depois do seu encerramento (em 29 de outubro).