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“CÓDIGO: VINGANÇA” – Algo mais, nada mais

Pouco pode ser dito sobre CÓDIGO: VINGANÇA, exceto que o filme cumpre o que promete enquanto filme de ação protagonizado por Jason Statham. Isso pode ou não ser um elogio, a depender do espectador. Para quem gosta dos filmes de ação no estilo anos 1980, o longa é um deleite. Para quem espera algo mais… alguém espera algo mais?

Cole Reed é segurança de Tibu, um bilionário do ramo da navegação. Quando seu chefe é assassinado na sua frente e ele é considerado o culpado pela morte, Reed foge enquanto procura pistas sobre o homicídio, descobrindo uma teia envolvendo ainda mais crimes.

(© Paris Filmes / Divulgação)

Jean-François Richet tem uma filmografia voltada para os filmes de ação, incluindo o excelente “Inimigo público nº 1” e o não tão bom “Assalto ao 13º distrito”. O cineasta já havia trabalhado com ícones como Mel Gibson (em “Herança de sangue”) e Gerard Butler (em “Alerta máximo”), sendo “Código: vingança” a sua primeira parceria com Statham. Ainda que Richet não seja um realizador da maior qualidade, o novo filme causa alguma decepção na medida em que se amolda muito mais ao estilo dos filmes de Statham do que ao dos filmes de Richet. Não se desconsidera aqui alguns elementos indicativos de uma direção razoavelmente qualificada, como o ótimo uso dos espaços e dos instrumentos à disposição do protagonista. Praticamente todo o filme se passa em um enorme navio cargueiro, do que resulta uma limitação espacial bem explorada no longa, notadamente recintos com pouca luz (o uso de lanternas eleva o suspense ao direcionar a visão do espectador) e cavidades que as pessoas comuns (sem conhecimento náutico) desconhecem. Além disso, Reed algumas vezes improvisa objetos para determinados fins imediatos, como um relógio e um cadeado, o que denota criatividade.

Essa criatividade, todavia, é ausente em inúmeros outros aspectos da mise en scène. Embora as cenas de ação não exagerem nos cortes – possibilitando, portanto, o bom acompanhamento das coreografias de luta -, a montagem é pouco inventiva, sendo até mesmo didática em demasia, como ao alternar o superclose nos olhos de Reed com planos subjetivos do que ele está, atentamente, olhando (se ele é um segurança, nada mais natural do que isso, sobretudo considerando que, evidentemente, ele é muito qualificado para a função). Ainda na ação, as cenas de luta ficam mais para o final, incrementando a brutalidade (com direito a sangue na tela) como se o clímax dependesse disso. A partir disso, os deslizes da obra são variados, indo de uma suspensão da descrença geralmente desnecessária (se o armamento não fosse tão pesado seria mais fácil acreditar nos tiros errados; Jonathan poderia ser mais parecido com Reed para além da calvície) a uma previsibilidade risível (em especial no tocante à Marinha). O roteiro de Lindsay Michel e J.P. Davis é provavelmente uma das maiores falhas do filme, pois não consegue estabelecer com firmeza o nexo causal entre o assassinato do chefe de Reed, o seu deslocamento ao navio e os acontecimentos que lá ocorrem. Na prática, tudo serve de pretexto para a ação, inclusive a personagem de Annabelle Wallis, que é um fator aleatório completamente dispensável. O longa faz de tudo para que o delito inicial seja esquecido, valorizando o seu protagonista e deixando de lado os motivos que o levaram a estar onde está (na realidade, sua decisão de ir ao navio é bastante questionável).

Statham faz o papel de sempre: um homem inteligente, extremamente habilidoso em qualquer área – principalmente em batalhas, com e sem o uso de armas -, com um backstory que importa apenas para justificar seu talento e um semblante sisudo que escancara o quanto ele é ruim como ator. As relações humanas (Reed-Tibu, Reed-Kameron, Ellis-filha etc.) são irrelevantes, desde que o protagonista assuma o manto do anti-herói simpático. Ele aceita tranquilamente os homicídios que pratica; o público é levado a aceitá-los, também tranquilamente, porque ele age munido de uma bússola moral cujo norte aponta para a justiça pelas próprias mãos. Cole Reed é mais um anti-herói à moda antiga vivido por Statham, aquele que tem carta branca enquanto estiver punindo malfeitores. Esse pensamento é antiquado, mas ainda funciona para algumas plateias, que não esperam nada mais do que confrontos físicos nos quais pessoas ruins recebem o que, nessa perspectiva, realmente mereceriam.