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“JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS” – Grandiosos visuais com pouco conteúdo

22 anos após o lançamento de “Jurassic Park: o Parque dos Dinossauros”, uma nova ideia é apresentada para resgatar a magia e a emoção da obra de Steven Spielberg. JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS falha ao tentar emular as qualidades do longa de 1993, mas consegue entregar uma premissa interessante.

Depois da tentativa frustrada de John Hammond, há mais de 20 anos, o parque dos dinossauros finalmente está aberto ao público. Agora chamado de Jurassic World e sob a supervisão de Claire (Bryce Dallas Howard), o parque criou uma nova atração: um dinossauro criado em laboratório, com os genes de todas as espécies mais perigosas possíveis. Quando esse dino escapa, cabe a Claire e Owen (Chirs Pratt) salvar todo o parque.

Coube a Colin Trevorrow a direção desse filme, e seu trabalho é decente na medida do possível. É perceptível a tentativa de emulação da atmosfera de terror do primeiro filme, através das atuações de Chris PrattBryce Dallas Howard. Contudo, mesmo com as orientações de Trevorrow e o trabalho relativamente bem feito da dupla de protagonistas nas cenas de ação, o espectador fã de Jurassic Park ainda não se sente em casa. Tudo é demasiadamente artificial. Desde escolhas técnicas, como os dinossauros em CGI, por exemplo, até os diálogos sem vida e que tornam alguns momentos desnecessariamente longos.

Talvez ver o portão principal do parque ser aberto ao som de alguns resquícios da trilha original de John Williams seja um momento de aquecer os corações dos mais saudosistas. No mais, tudo é novo. Isso não é necessariamente ruim, mas a escolha de levar a franquia para outra direção implica em um questionamento mais profundo a respeito desse roteiro. Escrito por cinco pessoas, Rick Jaffa, Amanda Silver, Colin Trevorrow e Derek Connolly, a impressão passada é a de querer ser um filme de ação em um invólucro de uma franquia consagrada no passado. O Indominus Rex, o dinossauro criado em laboratório, é a maior besteira com fundo científico que já existiu na franquia. Quando é conveniente à história, o dino mostra habilidades de espécies contidas em seu gene que dificultam o trabalho de toda a equipe de busca do parque.

Treinar Velociraptors também não está na lista das coisas mais inteligentes a serem feitas com um dinossauro desse porte. Mas, ao contrário da grande lição do primeiro filme, “a vida encontra um meio”, os raptores se tornam os grandes pets de Owen, sendo úteis, obviamente, só quando é conveniente. Toda essa plasticidade é produto de uma apresentação de um produto totalmente novo, visando a um longa com uma ação incessante e com menos alma. Os protagonistas são extremamente rasos e mal escritos, sendo superficiais em todos os momentos de importância dramática. Não há química alguma entre Pratt e Howard, o que torna tudo ainda menos convincente. A dupla de crianças, Ty Simpkins e Nick Robinson tem bons momentos em tela, mas nenhum devido à sua capacidade de atuação.

O filme engrena nas sequências de ação, que capturam bem o movimento dos dinossauros e, mesmo à noite, conseguem uma profundidade realista e imersiva. Essa é a grande qualidade de “Jurassic World”: cativar pelos visuais. A trama se torna muito mais interessante acompanhada das soluções gráficas criadas por John Schwartzman, diretor de fotografia (o mesmo de “Pearl Harbor”). Planos não tão abertos em sequências como as dos dinossauros voadores escapando do “aviário” são inteligentes, pois criam imersão sem apoiar em recursos como o 3D, utilizando apenas a filmagem e o enquadramento para alcançar tal efeito.

Divertido e com uma premissa no mínimo curiosa, “Jurassic world” encanta visualmente, mas peca no conteúdo. Não chega a ser desinteressante, mas uma franquia como essa merecia um cuidado maior com protagonistas fortes, com motivações fundamentadas e carismáticos. O ideal é separar essa obra totalmente de “Jurassic Park”, e pensar que, mesmo com todos os defeitos, esse filme ainda cativará toda uma geração de crianças que descobrirão, assim como muitos em 1993, o amor pelos fascinantes animais do filme. Contudo, a época “quando os dinossauros dominavam a terra” parece cada vez mais longe, dado um filme que mostra claros sinais de um esgotamento de ideias.

Apaixonado por cinema e pela arte de escrever.