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Terror: uma jornada de paixão e medo pelo cinema

O cinema de terror surge praticamente junto com o nascimento do cinema. Desde os primórdios, diretores trabalhavam com o fantástico ou o sobrenatural para provocar medo no público. Das inúmeras narrativas que temos hoje, cada uma possui a sua própria relevância e surge de um momento específico. Algumas obras são consideradas imortais, outras por poucos são lembradas, mas fato é que o gênero acabou se tornando um dos mais fidelizados da sétima arte (junto com a ficção científica). São pessoas que amam o estilo narrativo e buscam ansiosas por novas experiências cinematográficas

Aproveitando o dia das bruxas, o Nosso Cinema preparou um artigo sobre a história do terror no cinema. A proposta é contar um pouco sobre como o gênero foi sendo abordado em diferentes períodos e partes do mundo.

Primeiras experiências

Os primeiros anos do cinema foram, assim como boa parte das novidades tecnológicas, um período de tentativa e erro. O uso da câmera proporcionava uma dinâmica diferente da do teatro ou da fotografia, e foi questão de tempo até que se descobrisse o poder do corte e, futuramente, da montagem.

É neste contexto que surgem as primeiras experiências genuinamente cinematográficas. Desde o pioneirismo de Alice Guy-Blaché, o cinema assumiu para si o papel de narrar histórias que dialogassem com o público nos mais variados formatos narrativos. Junto com ela, tivemos uma infinidade de realizadores, experimentando tudo o que o novo formato tinha para oferecer, o que nos leva a Georges Méliès.

É dele que vem a primeira narrativa cinematográfica com elementos de terror, em “O Solar do Diabo” (1896). Mas muito mais do que isso, é com ele que se descobre o potencial do gênero no cinema. Suas obras, construídas com doses de criatividade e experimentalismo, nos levaram a cenários e contextos divertidos e assustadores (algo que deve ser interpretado sempre com o freio temporal para não cair num anacronismo). Foram filmes como “Le cabinet de Méphistophélès” (1987), “O Diabo no Convento” (1899), “Barba-Azul” (1901), “O Monstro” (1903) e “As Quatrocentas Farsas do Diabo” (1906) que levaram ao público, nesse primeiro momento, algumas breves experiências de terror.

Até que, em 1910, J. Searle Dawley nos conta a famosa história de “Frankenstein”. Com 16 minutos, o filme é uma versão consideravelmente resumida do romance de Mary Shelley, mas que assume a essência de uma obra de terror genuína. Enquanto Méliès nos oferecia pequenas doses do gênero, normalmente misturadas com outros estilos narrativos, aqui temos um filme que se propõe a ser um conto de terror. Com produção do Edison Studios (estúdio cinematográfico pertencente ao Thomas Edison), “Frankenstein”possuía efeitos especiais inspirados e uma fotografia densa, que transformava a criatura numa ameaça constante – há uma cena em que a criatura retorna para atacar seu criador e a vemos surgir do extra-campo, pelo reflexo de um espelho, numa construção que mescla tensão e horror de maneira genuína.

As primeira décadas do cinema foram palco de inúmeras narrativas na mesma linha. Em diversas partes do mundo, o gênero começava a tomar forma, mas é da Suécia que vem um dos mais influente filmes desse primeiro momento. “A Carruagem Fantasma”, de Victor Sjöström, lançado em 1921, que adapta o romance homônimo de Selma Lagerlöf, numa narrativa sobre espíritos pecadores e redenção humana. A obra dialoga com o terror a partir de uma narrativa macabra sobre espíritos pecadores e a desolação de vagar pelo mundo após a morte.

Expressionismo Alemão – o terror do entre guerras

A experiência cinematográfica de Victor Sjöström não acontecia de maneira solitária na Europa. O início do século XX trouxe terrores que ultrapassavam os limites das telas de cinema. Com duas guerras mundiais acontecendo em menos de 50 anos, o medo era uma constante no continente, sobretudo na Alemanha, que assumiu um grande protagonismo em ambas.

É neste contexto que surge o cinema expressionista alemão. Oficialmente iniciado em 1920, com “O gabinete do dr. Caligari”, essa geração de filmes assustadores marcam o primeiro movimento que dialoga essencialmente com a temática do horror. Através de uma fotografia que reforça sombras e de cenários confusos e claustrofóbicos, nascem neste momento obras com impacto que atinge a cinematografia atual como “O golem” (1920), de Paul Wegener; “Nosferatu” (1922); “Fantasma” (1922) e “A última gargalhada” (1924), de Friedrich Wilhelm Murnau; “A morte cansada”(1921) e “Dr. Mabuse” (1922),de Fritz Lang. Estes são apenas alguns títulos que dialogam com o período de tensão política vivido pela Alemanha, como salienta o sociólogo e crítico cultural, Siegfried Kracauer:

Os filmes de uma nação refletem a mentalidade desta de uma maneira mais direta do que qualquer outro meio artístico (…). Primeiro, os filmes nunca são produto de um indivíduo (…) segundo porque os filmes são destinados às multidões anônimas. (…) Assim, por trás da história explícita da Alemanha (…) existe uma história secreta envolvendo dispositivos internos do povo alemão. A revelação desses dispositivos através do cinema alemão pode ajudar a compreender a ascensão e a ascendência de Hitler.¹

Nosferatu

Monstros da Universal – entre vampiros e lobisomens

O cinema expressionista deixou um dos mais significativos legados ao terror no cinema. Enquanto alguns filmes ainda reproduziam o formato na Europa, nos Estados Unidos a Universal Studios dava o primeiro passo para criar seu próprio universo sombrio.

O ciclo de monstros da Universal é até hoje um dos mais importantes legados do estúdio. Iniciado em 1931, com a adaptação de “Drácula”pelo diretor Tod Browning e com Bela Lugosi no papel, os filmes adaptaram diversos clássicos da literatura de terror, com figuras que se mantém icônicas até os dias de de hoje.

Um exemplo disto está na figura do monstro em “Frankenstein”. A criatura sem nome é apresentada com traços bem distintos dos que foram concebidos pela autora do romance, Mary Shelley. Porém a estranha figura, interpretada por Boris Karloff, assumiu maior impacto no imaginário popular, sendo até hoje a principal forma de representação do monstro.

Dessa fase ainda se destacam outros clássicos como “A Múmia”, “A Noiva de Frankenstein”, “Lobisomem”, “A Criatura da Lagoa Negra”, “O Homem Invisível” e “O Fantasma da Ópera”. Todos filmes com histórias que foram recontadas ao longo dos anos, sempre evocando de alguma maneira o espírito fantástico, numa mistura de horror e sci-fi.

Monstros da Universal

O Bebê de Rosemary, O Exorcista e O Iluminado – a santíssima trindade do terror hollywoodiano

Hollywood nos proporcionou incontáveis clássicos do terror. Com diferentes temáticas, um enorme catálogo de filmes foi produzido – antes, durante e depois do ciclo de monstros da Universal -, exercendo enorme impacto no público. Porém, três casos se destacam tanto pelo impacto causado na época do lançamento, quanto pelo legado deixado para o gênero.

O primeiro deles, lançado em 1968 e dirigido por Roman Polanski, é “O Bebê de Rosemary”. Numa irretocável adaptação do livro de mesmo nome de Ira Levin, o filme narra de modo dramático o terror sofrido por Rosemary, sem apelar para o horror gráfico ou para qualquer jumpscare. Vemos apenas uma mulher que dará a luz ao filho de Satã. Os vizinhos que de simpáticos senhores passam a ser incômodos invasores na residência do casal. Além é claro da direção carregada de planos que agregam pequenos desconfortos no público. O resultado é uma obra atemporal, capaz ainda de causar mal estar em quem assiste, seja pela primeira vez ou não.

Em 1973,  William Friedkin adapta o livro homônimo de William Peter Blatty, “O Exorcista”. O fato do filme ainda ser considerado polêmico é apenas a ponta de um iceberg gigantesco. Uma criança possuída, um padre cético e uma família bem sucedida abalada pelo terror vivido em casa. São alguns dos elementos que constroem a narrativa de “O Exorcista”, levando-o ao ápice da carga dramática do terror nas sequências que acompanham o exorcismo da pequena Regan MacNeil. Não limites nesta obra. Um exímio trabalho de direção, roteiro, atuações, fotografia e som que rendeu, pela primeira vez ao gênero, uma indicação de melhor filme no Oscar, para uma obra reverenciada até os dias de hoje.

O terceiro grande nome do terror hollywoodiano é “O Iluminado”. Dirigido por Stanley Kubrick e lançado em 1980, o filme adapta o romance de Stephen King e trás Jack Nicholson no papel principal. Aqui vemos o terror de uma família presa num hotel, isolado do resto do mundo e ameaçada por um homem atormentado e irracional. A figura paterna que deveria servir de proteção, mas que já demonstrou sinais de violência no passado, é a verdadeira ameaça, e o filme nos apresenta isso numa crescente tensão, orquestrada por um diretor que levou sua obra ao clímax do terror, com uma referência direta ao filme “A Carruagem Fantasma”.

América Latina – entre Zé do Caixão e del Toro

Longe do glamour e dos enormes orçamentos do cinema hollywoodiano, a América Latina também oferece uma grande variedade de obras, com diretores que se tornaram ícones para o gênero e referenciado ao redor do mundo.

Apesar de ser construído a partir da soma de diversas narrativas, Brasil e México se destacaram como principais produtores de cinema de terror na região. Utilizando essencialmente lendas e folclores próprios ou com grande influência do cristianismo, os filmes de terror da América Latina fazem parte de um universo riquíssimo com obras como “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, de José Mojica Marins, lançado em 1963. Foi aqui que o diretor aparece pela primeira vez como a sua mais importante personagem. Zé do Caixão é uma figura curiosa. Uma mistura entre um sádico imoral e o aristocrático conde Drácula. As unhas longas, numa referência ao Nosferatu, são marcas registradas de um vilão popular que causou medo em grande parte do Brasil e do mundo.

Enquanto isso, o México consolidou sua tradição no gênero com respingos do que era produzido nos Estados Unidos. Filmes sobre vampiros e lobisomens. Sci-fi com criatura místicas. Westerns sobrenaturais. Um representante que ilustra esse amálgama cinematográfico está no filme “A Múmia Azteca Contra o Robô Humano”, de 1958 e dirigido por Rafael Portillo. Toda essa construção muito própria influenciou Guillermo de Toro, que teve em sua formação essa mistura, resultando em filmes como “Cronos” (1993), “Mutação” (1997), “A Espinha do Diabo” (2001) e sua magnu opus, “O Labirinto do Fauno” (2006), produção espanhola que mistura o realismo fantástico com o fanterror (subgênero ibérico do terror, que teve especial destaque no cinema espanhol entre as décadas de 1960 e 1970).

À Meia-Noite Levarei sua Alma

Inglaterra – o terror gótico da Hammer 

Voltando para o continente europeu, a Inglaterra, que tem como tradição no terror as narrativas góticas do século XVIII e XIX – é daí que surgem “Frankenstein”“Drácula” e “O Médico e o Monstro” – se destacou por resgatar os monstros da Universal, que estavam perdendo espaço no final da década de 1950 pelos Estados Unidos. É nesse contexto que o Hammer Film Productions renasce e dá início ao ciclo britânico do terror gótico, com os mesmos monstros que aterrorizam o público no velho continente décadas antes.

Por aqui se destacam nomes de atores como Christopher Lee, Peter Cushing e Ingrid Pitt (polonesa e sobrevivente dos campos de concentração nazista), assim como o diretor Terence Fisher, responsável pelos principais filmes do estúdio. A Hammer conseguiu, por pelo menos duas décadas, juntar o que havia de melhor no terror britânico com filmes como “A Maldição de Frankenstein” (1957); “O Cão dos Baskervilles” (1959); “As Noivas do Vampiro” (1960) e “Maldição de Lobisomem” (1961).

Drácula

Itália – o Giallo do papel para o cinema

Enquanto os ingleses investiam no gótico, na Itália o gênero passeava pelo suspense. Inspirado pela literatura pulp, com publicações baratas de páginas amareladas, Mario Bava dá o pontapé inicial no estilo conhecido por giallo (amarelos em italiano). O termo também já era utilizado na literatura e no cinema rendeu obras que abordavam assassinos sádicos com luvas de couro- sequências inteiras que focavam na mão do criminoso eram recorrentes – e perseguição policial era a receita do que viria a ser extremamente popular na Itália entre as décadas de 1960 e 1980.

Bava abriu caminho para outro diretor que, dentre toda a geração que se envolveria com o estilo, seria o mais notório: Dario Argento. Conhecido como “o Hitchcock italiano”, ele foi responsável por diversos filmes – “Prelúdio Para Matar” (1975) é o seu psicose – sendo até hoje reverenciado como um dos grandes mestres italianos do terror/suspense.

Prelúdio para Matar

Slasher – assassinos sem rosto

A década de 1970 é um ponto de virada importante no cinema de terror. Monstros de lendas antigas já não causavam o mesmo efeito e os diretores precisavam oferecer uma nova ameaça ao público. Em 1974, Tobe Hooper encontra o que precisava e quatro anos mais tarde, John Carpenter oficializava o início dos slasher movies. Mas voltemos um ponto no tempo.

Quando Alfred Hitchcock lançou seu “Psicose” (1960), o público experimentou uma visão inédita de um assassinato. Um crime cometido por um estranho sem rosto. Um voyeurista que atacava exclusivamente com uma faca. Sem saber, o mestre do suspense estava dando um dos principais ingredientes para um dos subgêneros mais adorado do terror.

Em 1978, John Carpenter consolidava o conceito ao lançar “Halloween: A Noite do Terror” e o icônico vilão, Michael Myers, que aproveitava, além do clássico de Hitchcock, elementos em outros filmes de assassinos atormentados, em especial “O Massacre da Serra Elétrica”(1974). Daí em diante tivemos Jason Voorhees em “Sexta-feira 13”,Freddy Krueger em “A Hora do Pesadelo”, Ghostface em “Pânico”, além de outros tantos dos quais poucos seriam dignos de nota.

Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers

França – o fetiche pela violência

O cinema francês teve diversas fases de terror, mas um dos mais significativos momentos é o novo extremismo francês. O termo foi cunhado pelo crítico James Quandt, para se referir a um estilo que não se limita ao terror, mas que vê no gênero a capacidade de se desenvolver narrativamente de forma singular. A ideia é o que o próprio nome sugere: um apelo à violência gráfica.

As obras desafiam a sanidade, tanto do público quanto das personagens, que são colocadas em situações extrema. Não raros são os casos de filmes que apelam para o uso da sexualidade e da violência à mulher – o famoso torture porn. Porém existem narrativas interessantes nesse universo banhado à sangue. Muito sangue.

“Alta Tensão” (2003) foi um dos primeiros destaques dessa nova cinematografia de terror francesa. Extremamente violento, embora pouco original no conceito, o filme de Alexandre Aja tem como principal mérito as atuações das protagonistas Maïwenn Le Besco e Cécile de France, apenas reforçando a qualidade que um filme de terror pode – e deve – apresentar.

Mas talvez poucos filmes sejam tão significativos quanto “A Invasora”(2007) de Alexandre Bustillo e Julien Maury. Não apenas pela forma como se utiliza da violência para construir a narrativa, mas pelas diversas camadas que o filme apresenta. Como todos os demais filmes deste ciclo, “A Invasora” exige estômago forte do público e a aceitação de que toda a violência terá uma razão ao final. Porém, gostando ou não, esta é uma das fases mais interessantes do terror francês.

A Invasora

Japão – um capítulo à parte

O cinema asiático é muito mais do que os filmes de Akira Kurosawa ou Yasujiro Ozu. Cada país possui uma rica coleção audiovisual, tão poderosa e influente quanto aquela produzida pelo ocidente. E mesmo dentro do Japão, há muito mais do que clássicos que, vez ou outra, conseguem ultrapassar a barreira comercial que nos impede de ter acesso fácil a tais filmes. Mas seria também desonesto negar a relevância do cinema japonês, sobretudo quando se fala de terror.

Muito além de “O Chamado” (1998) e “O Grito” (2002), que popularizaram o terror japonês no ocidente, os filmes do outro lado do mundo são concebidos a partir de uma ótica própria. Com lendas e criaturas sobrenaturais que exercem significativo poder sobre a população. Honra, paixão, suicídio e rigor se entrelaçam com narrativas aterrorizantes, capazes de elevar a tensão de modo muito singular.

Ao longo dos anos os filmes de terror japonês migraram entre os extremos do drama ao grotesco. Entre a série “Guinea Pig” e “Contos da Lua Vaga” (1953) há uma enorme opção de filmes que não se limitam a assustar o público, mas falar sobre os dramas de carregar seus próprios demônios. Nesse universo as obras de Hideo Nakata, que além dos já citados “O Chamado” e “O Grito”, dirigiu o excelente “Joyû-rei” (1996). Outro nome que surge como um dos principais representantes da atual geração é Kôji Shiraishi, com “Ju-rei: Gekijô-ban” (2004); “Noroi” (2005); “Karuto” (2013) e “Sadako vs. Kayako” (2016).

O roteirista Koji Suzuki reconhece a importância dos espíritos na cultura japonesa e como isso reflete no cinema:

Na América e na Europa, a maioria dos filmes de terror conta a história do extermínio de maus espíritos. Filmes de terror japoneses terminam com uma sugestão de que o espírito ainda permanece em liberdade. Isso porque os japoneses não consideram espíritos apenas como inimigos, mas como seres que coexistem com este nosso mundo.²

Ju-rei: Gekijô-ban

O terror contemporâneo – por favor, não o chame de pós-terror

Como acontece em qualquer gênero narrativo (não apenas no cinema), o terror foi sendo moldado ao longo do tempo. Passou do ingênuo para o científico. Transitou entre monstros folclóricos e reais. Assumiu a forma de cadáveres putrefatos que retornavam do mundo dos mortos e de elegantes vampiros, sedentos por sangue. Fato é que foram poucos os territórios não explorados pelo estilo.

Isso faz com que algumas pessoas, ansiando por algo novo, busquem classificar novas narrativas num conceito próprio, para delimitar uma nova fase com novas características. E assim surgiu um termo que não chegou a se tornar popular, mas ao mesmo tempo nunca recebeu críticas de todas as partes: o pós-terror.

Cunhado pelo crítico Steve Rose, esses filmes seriam uma nova forma de trabalhar com o gênero. Obras como “Babadook” (2014) dirigido pela australiana Jennifer Kent, ou “A bruxa” (2016), de Robert Eggers, que não constroem o terror exclusivamente em elementos sinistros ou em sustos fáceis, mas em narrativas complexas que trabalham o terror a partir de elementos psicológicos e de todos os elementos que compõe o filme, do roteiro à fotografia.

E, por mais que haja uma diferença nessas obras para outras grandes clássicos do cinema, essa novidade já está presente desde os primórdios. “A Carruagem Fantasma” já apresentava esse traços, assim como “O Bebê de Rosemary”. Buscar uma nomenclatura específica para forçar um lugar de destaque não se mostra como o mais eficiente recurso, talvez agradando alguns críticos e parte do público, que prefere não se vincular ao terror mais grotesco e gráfico (o que este artigo buscou demonstrar que não torna um filme inferior).

Fato é que não há como negar um aumento significativo no gênero.“Corra” (2017) talvez seja uma das melhores maneiras de mostrar ao mundo que, apesar de estar quase que desde a origem, o terror tem muito a oferecer. É possível passear por novas abordagens e reciclar algumas antigas, sem nunca perder aquilo que deve (ou deveria) ser a base do gênero: provocar o medo. 

Babadook

¹ Kracauer, S. (1988). De Caligari a Hitler: Uma história psicológica do cinema alemão.

² Suzuki, Koji (2005), ‘Interview with Koji Suzuki, Novelist of the Dank and Dread’

Estudante de jornalismo, cinéfilo e escritor nas horas vagas. Apaixonado por cerveja, café e literatura sci-fi e policial. Acredita na honestidade dos filmes ruins e que Ringo Starr sempre foi o melhor dos Beatles.